Recordação da Poesia Alentejana

Dizem alentejanos
De todo país diferentes
Aos irmãos dizem manos
Dizem primos aos parentes

As encostas dizem chapadas
Dizem serros aos montes
Dizem barrancos aos ribeiros
As pancadas dizem porradas
Dizem manas as cunhadas
Por habitos provincianos
São ditos que há tantos anos
Que não muda facilmente
São assim naturalmente
Dizeres alentejanos.

Dizem garrocho as coisas tortas
As aberturas dizem gretas
As bolotas dizem boletas
Dizem tias as velhotas
Aos pinos dizem caralhotas
As pessoas tristes dormentes
Dizem taradas as contentes
Dizem pieguices aos queixumes
São dizeres ditos costumes
De todo país diferentes.....

Para encher dizem bote
As tijelas dizem gamelas
As ratoeiras dizem trelas
Dizem zurraique ao chicote
Ao cajado dizem garrote
Aos aviões ieroplanos
Aos malarroupados ciganos
As farmácias dizem boticas
As Anas dizem Anicas
Aos irmãos dizem manos.

Dizem primas ás vizinhas
Dizem botins ás botas
Aos bem vestidos janotas
Dizem frangas ás meninas
Papalvos ás andorinhas
Aos corvos dizem vicentes
Empalciados aos desertos
Cabeçalhos ás almofadas
Dizem primos aos parentes

Antonio Domingos Ventura, poeta alentejano - Obrigado Salvada

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