Tinha chegado aquela terra que inicialmente, fora Colónia de Açoreanos que se estebeleceram na Ponta da Pedra no longínquo ano de 1752. Tinha acabado de aterrar no Aeroporto Internacional Salgado Filho, inspirava o ar quente daquele clima subtropical e nesse dia 2 de Fevereiro decidira:
"Yes, I got all the pebbles in my path and build my castle..."
Não havia dia melhor para chegar á cidade, dia de Feriado em Honra de Nossa Senhora dos Navegantes um dia muito importante para todos. Comprou jornais, queria começar a conhecer a sua nova cidade, Zero Hora e Correio do Povo foram os escolhidos. Sentou-se no Parque da Farropilha sentiu o vibrar da cidade, das suas gentes, leu os jornais, comeu uma sandwich, empurrada por uma Skol e seguiu o seu caminho.
Caminha lentamente, até chegar á Avenida Erico Verissimo, onde seria o seu casulo. Tinha alugado um minusculo apartamento a "Seu Alcides", velho aposentado da Industria Metalurgica local. Alcides viria-se a revelar um optimo contador de histórias.
"Bom dia prtugueis, como vai? Esta será sua casa...esteja á vontade". Chapéu sobre a tez ressequida dos anos, chinélo no pé e cigarrinho a queimar os lábios...eis Seu Alcides.
" O que significa Farropilha ?"- Perguntou o gringo...
Conversa da boa, pra Seu Alcides :
" Farropilha é o nome de uma revolução de carácter Republicano contra o Governo Imperial, a então Provincia de São Pedro do Rio Grande do Sul que se tornaria independente entre 1835 e 1845, dando origem á Republica Rio-Grandense". Esta fora a 1ª de muitas histórias que Alcides haveria de contar.
O desgosto de Alcides era viver paredes meias com o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, sendo ele "Colorado" de gema... quem chegou já tinha adoptado seu "time" de coração: Seria tricolor Gremista...só isso já dava conversa na certa com Seu Alcides...
Deitou-se e descansou. Vinha atrás de um sonho, que sonho? Nem ele sabia, sentia-se a renascer!
Amanhã começaria a construir o seu caminho. Seguiria para a Rua Paulo Gama nº 11, destino Reitoria da UFRGS. Queria trabalhar lá. Tinha contactado um antigo professor seu, de nome Ivan Cammillier, ao que ele lhe teria dito:
"Vem meu rapaz, você aqui será feliz"
Ele ficou confiante. No outro dia, o sonho iria começar.
"No meio do caminho tinha uma pedra
ResponderEliminartinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra."
Lembrei desse poema do Drummond.