Era um fim de tarde Outonal, a orla estava linda e o Guaiba mudava de cor a cada segundo...gostava de comer aquele cenário. Tinha entrado no Praia de Belas.
Talvez para esquecer algumas inquietudes...a história das crianças e suas mães não lhe saiam da cabeça...pensou: "Terei falta da mãe...essa personagem maravilhosa inventada por todos os filhos...ou quereirei uma mãe...que algum filho possa inventar. No seu doce tormento continuou e tropeçou...tropeçou num branquela pequenino, cabelo ralinho muito doirado e sorriso facil que tinha acabado de comprar uma mochila e guardado como se fosse um tesouro.
-Desculpa- disse..."
-Olá...não faz mal- retorquiu o petiz.
- Hei, não és daqui...esse sotaque é do outro lado do Mundo...diz-me, como te chamas?
- Filipe vim de Lisboa com a minha mãe, e o Sr ?
- Eu também...fugi do Mundo. Disse espantado com o descaramento da criança.
- Fiiiilllliiiipppeeee! - gritam do outro lado.
- É a mãe que está a chamar...vai lá e porta-ter bem !
Nesse instante aproximou-se uma mãe.
Era alta, magra, pele clara, olhos cor de mel, dedos finos e cuidados, sorriso luminoso e um olhar ternamente triste...
Estendeu a mão e cumprimentou-a, balbuciou qulaquer coisa como:
- Tropecei no seu filho...agora tropeço em si !
- Chamo-me Petra. E abriu um sorriso verdadeiro. Um sorriso daqueles que ficam na memória.
- Ele não disse o nome, para poder sentir o calor daquela mão...
- Não é Portuguesa...pois não?
- Não, sou checa...mas tenho um fruto Português...
- Checa? Xiii...grande volta !!! - disse
-Sim, é verdade...o Mundo dá muitas voltas...
Não disse mais nada. Ele olhou-a docemente e os olhos inundaram-se de água...por breves segundos o seu coração tinha ficado todo ocupado, sem espaço para mais nada...estava com medo de recomeçar a viver tudo muito novamente. Mas aquele toque tinha sido mágico. Gostava de a reencontrar, mas não sabia como...
Tudo por causa dum branquela de cabelo ralinho...
Mas a imagem dos guris do jardim...perseguiam-no...
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