As pedrinhas do meu caminho - Parte 8.1/2

Desceu para o Farropilha em dia de festa. Como sempre o Parque fervilhava de energia boa.
Gostava especialmente do Sábado. Aquela alma, todos os Sábados se dirigia á Feira da Avenida José Bonifácio onde comprava fruta, legumes, compotas, pão e cereais. Ao Domingo ia ao Brique do Artesanato.
No parque gostava de passar pelo Mercado do Bom-Fim que se situava na esquina da Avenida José Bonifácio com a Avenida Osvaldo Aranha, local de eleição da maioria dos habitantes da cidade.
Tinha os seus locais favoritos desde logo a Grande Avenida que termina no Monumento ao Expedicionário, o roseiral, o recanto oriental e especialmente o recanto europeu por lhe trazer o cheiro da casa distante.
Nesse dia havia festa, passou e viu dançar. Parou e observou embevecido os corpos que se retorciam no ar, na leveza dos movimentos, nos sorrisos esboçados....
No fim...os dois guris lindos correm para o regaço de alguém, que acabava de dançar!! Trazia um vestido cor de sol, um sorriso embevecido e amor para partilhar com suas crias.
Finalmente tinha visto.
Seria aquela a mãe que de tempos o atormentava. A imagem era muito bonita e por instantes o parque parou. Duas crianças correm para os ternos braços de sua mãe com o sorriso mais inocente do mundo, esta, abre os braços, acolhe-os no seu amor insuspeito e rasga o sorriso de cortar os céus...eram realmente a imagem da felicidade.
A mãe? Era bela...olhos grandes amendoados a brotar ternura, faces alvas e distintas, lábios vivos, vermelhos de vida...era sem duvidas uma dádiva do céu aquela beleza intemporal...
No fim partiram felizes. Ele ficara parado; as suas suspeitas confirmaram-se: "Dois guris tão lindos, só podiam nascer de dentro de uma Deusa".Lembrou-se da sua e quase chorou, saudade.
Mas continuava com a beleza triste da mãe do branquela de cabelo ralinho. Essa não lhe saía do coração...e cada dia ocupava mais espaço...

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