Tinha saído da Igreja e não tinha vontade de regressar a casa. Como estava no Centro ia descer até ao Guaiba, para apreciar o sol do Sul do Mundo.
A imagem da bela-mãe percorria-lhe todos os sentidos. Sabia o seu nome, sabia que gostava de dançar, sabia que gostava de rezar, sabia que gostava de escrever, sabia que gostava de fotografar e sabia...que era linda!
Tão linda que não se atrevia a tocar, não se atrevia a aproximar, não balduciava uma frase articulada, nem um simples: " Qual o seu nº de telefone..."
Parecia obra divinal....aquela mulher feita-mãe não era de carne e osso...não estava ao alcance dos mortais...não era pecado...para ele, para aquele pobre, aquela alma tinha-se tornado divina...
Ao descer, passou pela Rua Riachuelo onde contemplou a Igreja de Nossa Senhora das Dores, o local ideal para depositar as suas...
Antes de se perder na imensidão do Sul parou e entrou.
Sentou-se e meditou. Não encontrou respostas. Porque razão aquela bela-mãe o atormentaria? Seria lembrança de sua mãe deixada do outro lado do mundo? Seria o enlevo com que tratava as suas crias? Seria amor? Seria possivel amar o desconhecido? Porque a sentiu tão longe e tão perto? Porque a tratava como semi-deusa divina e inacessivel e não como uma linda mulher apaixonavel?
Respirou fundo. Rezou e pensou...nos proximos tempos ia desatar este embrulho e descobrir.
Entretanto reparou na beleza impar desta igreja.
Tinha sido construda a partir de 1808 e demorado mais de 100 anos a construir, construida em estilo barroco encerrava nela a lenda do escravo Josino....
Com estas turbulencias a percorrer-lhe o pensamento, desceu ao rio e contemplou o Sol do fim do Sul. Uma lagrima correu-lhe o rosto. Ela era linda....
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