Tinha alguns dias de férias. Tinha tido uns meses doces e calmos. Apenas a bela-mãe lhe dava um tormento e a linda Sofia do menino de cabelo ralinho lhe causava um doce e terno aperto no coração.
Tinha seguido os caminhos da Serra a romântica Nova Petrópolis seria o seu destino. Pensava que o ar europeu de forte sotaque alemão da cidade, em conjunto com as elas ruas e jardins floridos o poderiam ajudar a encontrar-se na sua encruzilhada.
Concerteza, ainda iria a Caxias do Sul e a Bento Gonçalves onde poderia saborear os belos vinhos do Sul. Olhou para trás. Viu a razão desta aventura tão longínqua. Resumia-se a duas palavras fuga e abandono. Um abandono que quase o levou á não existência, que o levou a matar o amor.
Agora tinha medo. Medo de ressuscitar toda a beleza do amor da qual fugia como se de uma cruz se tratasse. Tinha a ideia de aínda se encontrar nos cuidados intensivos.
Mas ela era bela. Guardava a sua imagem encantadora do Farropilha, guardava a volupia da dança nocturna neste calor de Outono, guardava-a a amar os seus guris, guradava o seu ar de anjo nos bancos da catedral.
Chamava-se Shandra e tinha a beleza das Deusas. Tinha deixado de ser objecto de desejo e passado a ser objecto de veneração, tão bela que o tocar seria pecado. Olhos expressivos negros, cabelos longos, olhar doce de mel, as curvas do seu corpo eram tal a estrada do paraíso, labios vermelhos de fruta frsca, suculenta com cores de vermelho vida - tudo tão perfeito que se tinha tornado impossivel. Shandra não pertencia á categoria dos mortais.
Aquela pedrinha do seu caminho tinha de ser arrumada. Encheu-se de coragem, encheu o peito de ar, pegou nesta pedrinha tão delicada e guardou-a no coração.
Shandra nunca iria saber do seu amor. Seria o seu amor-bionico, apenas.
O sol iluminava-lhe o rosto e aquecia a alma. Havia muito caminho a percorrer...
Sofia do menino do cabelo ralinho seria o seu amor-real...pensou...sonhou e guardou.
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