O elogio da loucura

Buenos Aires que te quero
Saio de casa em Arenalles, saio de mim, vou para ela
Quando de repente ela aparece
Rara volupia num ultimo suspiro
Labios de carne viva, vermelhos doces
Corre numa viagem para Venus
Corpete colado
Pecado tatuado
Duas meias solas nos pés
Colhe flores
Acena e dança, duas flores em cada mão
Parece que só eu a vejo
Passa pelas ruas como uma manequim
Luzes que geram três luzes celestes
Dão laranjas no pomar da esquina
Jogo flores de laranjeira
E assim, meio dançando, meio voando

Diz-me:
Sei que quero, quero, quero
A lua roda em Callao
Como um corso de astronautas, crianças que dançam
Quero dançar em teu redor....Puxa-me! Tem-me! Abraça-me!
Sei que quero, quero, quero...
Por Buenos Aires, quero-te
Por te ver assim, por te ver tão triste...
Viro-te! Tomo-te! Sinto-te!

Sigo!
Louco, louco, louco..
Quando o escuro da solidão invade La Boca
Pela borda do caminho irei
Com um poema e um trombone
Roubar-te o coração
Vou!
Louco, louco, louco...
Como um acrobata num salto vazio
Rasgo o teu corpo até que sintas
O louco coração em liberdade
Tu virás! Tu verás...

E assim dizendo...
Convido-a, louco
Para correr num sonho
Para correr numa cornija
Como um passaro a motor....

Gritamos:
"Viva, viva"... quais os loucos que inventaram o amor?
Um anjo, um soldado, uma virgem...
Dá-nos uma dança, louco amor...
Viemos para cumprimentar as gentes
E eu louco por ti, sei eu
Vejo-te
Na provocação do riso e do olhar...
E finalmente gritas:

Quero-te louco, louco, louco...
Toma esta loucura em mim, sorve o carinho em mim...
Tem sobre mim este poder, tão volatil
Agarra-me agora! Anda...Tem-me! Aperta-me!....Chega!
Quero-te louco, louco, louco...
Come o amor que vamos plantar
O mágico reviver da loucura
Vem! Pega-me! Puxa-me! Seduz-me!

Viva!Viva!Viva!
O louco sou eu!
Loucos, loucos, loucos!
A louca és tu!

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