As pedrinhas do meu caminho - Parte 15.1/2

A vida sorria. O trabalho na UFRGS fascinava-o. Tinha saido dos serviços administrativos e tinha sido colocado no seu mundo. No Departamento de Fisica, os professores e amigos Ivan Camillier e Tessaleno Devesas, tinham-lhe arranjado colocação nos laboratórios. Não que a remuneração fosse por aí além, mas finalmente estava entre os seus. O seu trabalho era muito simples: preparava as experiencias e relatórios para o 1º e 2º ano das disciplinas de Fisica Geral.
Sobrava-lhe tempo para pensar na doce Sofia e no beijo roubado. Seria possivel ter encontrado, aquilo que sempre procurou? Tão longe? A beleza de Sofia não lhe saía da cabeça nem do coração, escrevia-lhe poemas sem fim, imaginava vidas doces, futuros risonhos....imaginava tudo o que tinha perdido....e quase que se recusava a viver e a acreditar. Tinha, essencialmente medo, muito medo de perder tudo novamente e não queria voltar a fugir....
Mas o coração falava, gritava, explodia de emoção....não queria perder esta oportunidade de tentar ser feliz, não queria deixar a felicidade passar sem a tentar agarrar com as duas mão, não queria deixar passar a chance de poder voltar a amar novamente...pensava muitas vezes : " antes palerma que infeliz...." tinha de arriscar. Agora ou nunca...
Vivia nesta doce angustia, ouvia Sofia com atenção, prestava atenção a todos os seus movimentos, a todas as suas palavras, a todos os seus olhares, a todos os seus jeitos. Nascia um amor por inteiro, um amor de todas as coisas, um amor que ama todos os pedacinhos da nossa vida. Recusava-se a amar um corpo...queria amar uma vida, uma existência. Sobre estas coisinhas todas pensava enquanto olhava o Guaiba e o belo por do sol do Sul do Mundo. Os passeios no Farropilha tornaram-se mais felizes e coloridos. Sabia que Sofia era a causa da felicidade. O seu pensamento voava, o coração não lhe cabia no peito, tudo parecia um sonho. Havia de acordar para a realidade, quando conheceu a historia de Sofia, teve a certeza que a amava e que só poderia amar a ela. A historia não era doce mas isso são outros contos. Ela, entretanto não sabia que tinha quem a amasse, seria ela também capaz de o amar? Aqui começava uma historia improvável.

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