Havia um tipo no Liceu chamado Armando. Não se conheciam namoradas, nem excessos ao menino Armando. O menino Armando não tinha grandes resultados, mas era um tipo glicodoce cheio de maneirismos e falinhas mansas....aproveitava estas suas características para estar de bem com todos os professores, todos os colegas, todos os funcionários...sempre de bem e sempre sem excessos...foi passando sem brilhantismo, mas lá ia andando.
Armando tinha um hobby. Estava inscrito numa juventude partidária. Aí passava a maioria do tempo. Era esperto, estava sempre do lado do poder dominante. Era o lambedor de serviço. Pobre Armando havia de ter a lingua gasta. Lambia cartas, lambia papel, lambia selos, lambia botas, sapatos, tenis...até cus o Armando lambia. Só não se sabia da sua capacidade lambedora com o belo sexo...suponha-se que andaria entretido noutras lambuças...
Com tanta lambidela, tanto cartaz colado, tantas horas a dizer "sim" ao chefe, tantas horas a dizer "não" a mando do chefe, tantas horas a atraiçoar os adversários do chefe, Armando havia de colher os louros de tamanha lealdade. Tinha sido nomeado para o Conselho Geral do Partido, com hipoteses de chegar a deputado...
Surgiu o 1º contratempo: Armando tinha de ser "doutor" para poder ser deputado e aspirar a Ministro ou Administrador de alguma Empresa publica que eram as suas maiores ambições. A inscrição na Universidade estava congelada e não conseguia sair do 1º ano.
Solução:
Trocou de Universidade e de curso, escolhendo a Universidade pelo numero de professores que aí leccionavam e que pertenciam ao partido. Assim foi licenciou-se em três anos....caso raro, um assomo de inteligência...
Assim chegou a deputado. Era o Dr. Armando. Naquilo em que era doutor é que ninguem sabia. Mas o chefe chamava-lhe doutor e assim ficou doutor para todos....Era como sempre a sombra do chefe, sempre pronto para o defender, sempre pronto para atacar os inimigos do chefe, sempre pronto para dar o corpo as balas pelo chefe. O chefe como sempre agradeceu tanta lealdade e esmero, como recompensa, quando chegou ao Governo lembrou-se do seu fiel escudeiro:
Nomeou-o Ministro. Assim Armando de lambedor profissional chegou a Ministro.
Aí mostrou toda a sua competência, tão competente que num instante ficou rico, uns favorzinhos ali, umas palmadinhas nas costas acolá, umas facadinhas além, um saquinho azul para os presentes, uma rápida aprendizagem da teoria das "off-shore"...assim foi mostrando a sua competência e simultaneamente o seu gordo bolso a vomitar notas...tão competente que quando o seu Ministério caiu foi nomeado Administrador de uma poderosa instituição bancária Estatal.
Entretanto, o seu "chefe" lá ia construindo a sua carreira, tendo chegado ao lugar mais alto da nação.
Os factos aqi narrados são pura ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidencia
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