Sem noites

As palavras nada proibem...
Quem proibe pouco entende
Do brilho humido dos labios
Do calor intenso dos corpos...
Que se entrelaçam em noites de orvalho...
E voam pelo espaço

Canta-se a luxuria
A pele e os vultos
Os segredos que se revelam
Ou inventam
A lingua, as mãos e os dedos
A garganta que grita, os dentes que se fecham
As coxas que apertam e logo se abrem
Calcanhares que nos prendem
Unhas que se cravam na pele suada de amor
O ventre que salta no sobressalto do prazer
Num movimento antigo dos mares agitados
Na liberdade revelada

Dureza, força e destreza
Suor de sal, distantes ondas
Olhos de lua loucos
quando os gemidos ecoam
No ritmo dos corpos
No acelerar da respiração
Nas veias que incham
Nas palavras segredadas na noite
Reveladas na verdade de um orgasmo

Corpos lentos, quentes que arrefecem e dormem
para depois dar lugar á manhã de vida
para salvar as noites que virão...

Sem comentários:

Enviar um comentário