Conto Curto - A musica

Toca a campainha e Carlos vai abrir a porta, sem antes ajeitar o cabelo, e dar um rodopio sobre si. Na porta está Gisela. No caso "mulher" é pouco. Se Deus mandasse uma amostra do seu trabalho para algum concurso seria a Gisela.

Preciso de me lembrar desta frase para depois escrever.

- Olá - diz Gisela
- Olá, entra a casa é tua...
Ela entra e olha ao seu redor e diz:
- Sou a primeira...
- Não. Desde os 16 anos que eu...
- Anh !...
-Esquece lá isso...
- Bonita a tua casa...
- Desde que chegaste ficou um jardim..
- O quê?
- Nada...sim é bonito.
- Mmmm...

Que conversa, que diálogos, que musica, que loucura, perfeito, perfeito- pensou ele.

- Dá-me o teu casaco, a tua mala...diz ele.
Ela dá. Ele fica paralisado ao seu lado. Diz ela:
- Não vou tirar mais nada..
- Ah, ok !
Ele guarda os pertences de Gisela. Ela examina a sala de jantar. Na mesa está um balde com uma garrafa de champagne e duas flautes. Diz ela então:
- Disseste que ia haver uma festa ...
- Onde estiveres é uma festa...
- Mas disseste que vinha muita gente.
- Pois...
- E só vejo dois copos.
- Yop....
- O resto das pessoas?
- Quais ?
- As que faltam, dah !!!
- Mmmm. Bem, se eles chegarem...
- "Se" ? Quer dizer que eles podem não vir ?
- Podem-se ter esquecido...
- Esquecem-se de uma festa...?
- Ou...eu posso ter esquecido de os convidar...
- Tou a ver...ok, a festa somos os dois, certo ?
- Eu prefiro grupos pequenos. Tu não?

Perfeito. Pena não gravar esta classe. Gisela solta o cabelo, o seu vestido branco voa e sobressaem o seu belo metro e meio de pernas. Que pernas, que corpo, que boca, que mamas, que noite! Ele serve-lhe champagne, ela diz:

- Quero-te avisar duma coisa...
- Vá diz...sou os teus ouvidos...
- Esta noite sou a Cinderela...
- Porquê?
- Até á meia-noite sou uma senhora...
- E à meia-noite...
Ela franze o sobrolho põe um ar sobranceiro afasta-o com a mão e diz:
-À meia-noite vou embora...
- Ah...não te preocupes, se és a Cinderela eu sou o teu escravo, o teu servo, o teu cocheiro...
- Já vi tudo...serve-me mais champagne, escravo !!

Ele serve e pensa: " Quem dera que ela diga que as bolinhas do champagne fazem cocegas no nariz...."

- As bolinhas de champagne estão a fazer-me cocegas no nariz...
- Isso eu também faço e não sou champagne...
- Quê ?
- Cocegas no nariz...
- Não entendo
- Esquece, esquece...
Também não se pode acertar em todas, pensa ele. Pergunta então:
- Não queres conhecer a minha biblioteca?
- Quero.
- Anda e trás o copo...
- Hei...espera lá. Isso é o teu quarto !
- A minha biblioteca fica no quarto. Estás a ver os dois livros ao lado da cama..
- Então trás para aqui...
- A cama ?
- Não, os livros !!!

Ele pega-a pela cintura, passa-lhe as mãos nas costas, rodopiam e caem no sofá. Pega na garrafa de champagne e serve mais uma flaute...

- Estas a querer embebedar-me !! Quem diz é ele.
-Se já abriste o champagne...que vamos abrir á meia noite ? pergunta ela.
- Talvez...um botão, ou dois, ou três....

Pensa ele : tenho de me lembrar disto tudo. Tenho de escrever, isto vai ficar para a história.

Nisto ouve-se :
DLIN-DLON........... DLIN-DLON,........,DLIN-DLON....DLIN-DLON !!!

Ela tenta levantar-se rapidamente do sofá
- Está na hora....
- De quê ?
- De ir embora....meia-noite!
- Nah...daqui tu não sais, Cinderela....(isto tudo no sofá)
-Mas tu disseste que eras o meu escravo...
- Pois disse !
- Pois eu ordeno-te que me leves a casa.
- Não.
(Ainda no sofá....ele por cima dela)
-Porque não ? - diz ela tentando afasta-lo, ou não.
- Porque deu a meia noite e eu transformei-me num rato !

Meia-hora depois ela está nua debaixo dos lençois e ele sentado numa mesa do quarto a escrever.

- Então meu amor...não vens...estou a ficar com frio...vem aquecer-me, anda !!!
- Espera só mais cinco minutos. Tou a escrever aqui umas coisas. Quando disseste que o champagne fazia cocegas no nariz o que foi que eu respondi ?
-

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