Mesmo que não...

Vou-te dizer uma coisa, poderia dizer-te ao ouvido no meio de mil beijos, mas não seria o mesmo ...ao ouvido no meio de mil beijos é muito fácil.
Mesmo que não digas nada, mesmo que não oiça a tua voz, mesmo que não estejas aqui sentada ao meu lado...tu não sais daqui !
Olha, devia de ficar chateado por nada me dizeres...mas não consigo, fico antes sem jeito e sem reacção. Parece que o meu cérebro parou e o coração não anda. É um estado de inconsciência este em que me vejo. As coisas sem ti não fazem sentido, continuo a fazer tudo o que fazia, deixou foi de ter sabor ou cor ou coisa que o valha. Os dias ficaram insonsos e perderam as cores. Assim como se vivesse num mundo cinzento em que tudo é igual, todas as pessoas passaram a ter o mesmo nome e a vestirem as mesmas roupas, até as mamas passaram a ter todas o mesmo tamanho...e os olhos a mesma cor, as ruas as mesmas luzes.. ! Vê lá até a musica tem toda o mesmo tom e a poesia a mesma métrica, prosa e poesia deixaram de existir. Só tu és a diferença entre viver e sobreviver, ver o tempo a passar e passar o tempo ou a diferença entre realizar e sonhar... és a diferença entre existir ou não !!
A serio, a tua falta é uma tortura... e mesmo que eu saiba, o meu coração continua sufocado pela tua ausência...
O que eu sinto falta é de partilhar a minha inconsciência contigo...e pegar-te no dedo do pé.
Essa sim, a beleza mais sublime.
Ah...e quero que saibas que marco no calendário da minha secretária os dias que faltam para voltares. Sim podes rir...é exactamente como os presos fazem !

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