O que é que nos faz apaixonar por alguém? Mistério. Não é só porque ela é desportista, não é só porque ela é linda, pois há desportistas sem cérebro e lindas também. Mas também não basta ser inteligente, por mais que a inteligência esteja bem cotada no mercado. Tem que ser inteligente e... algo mais. O que é este algo mais? Mistério descodificado: é a maneira.
As pessoas apaixonam-se pela maneira da pessoa. Não é porque ele cita Camões, não é porque ela tem os olhos mais azuis do mundo: é a maneira dele de dizer versos em voz alta como se ele mesmo os tivesse escrito para ela; é a maneira dela de piscar os seus lindos olhos azuis,quase em câmara lenta.
A maneira de andar. A maneira de usar as maminhas na camisa. A maneira de passar a mão no cabelo. A maneira suspirar no final das frases. A maneira de beijar. A maneira de sorrir. Não sei...não consigo explicar !!!
Pela minha primeira namorada, apaixonei-me porque ela tinha uma maneira de estar nas festas que parecia que não estava, era como se só eu a estivesse ver, parecia que só eu é que existia
A segunda namorada fisgou-me porque tinha uma maneira de morder a palhinha nos copos de Malibu que me deixava louco – ok, eu sei que dá para rir. Ela era uma tipa sofisticada, e por isso mesmo eu vibrava quando parecia uma galdéria.
A terceira namorada tinha uma maneira tão fragil, tão certa, tão sabedora de si...que me casei com ela...mau negocio ! Passado uns tempos já não sabia nada dela, nem de mim, nem de ninguem.
Portanto...a vida continua !!!
Passado uns tempos apareceu a quarta namorada...tem uma maneira de olhar que parece que despe a gente: não as roupas da gente, mas a alma da gente.
Logo vi que eu jamais conseguirei esconder qualquer segredo dela, é como se ela me conhecesse antes mesmo de eu nascer. Por precaução, o melhor é ficar com ela e tê-la sempre por perto !!!
E houve aquelas que nunca foram namoradas também por causa da maneira: da maneira vulgar de falar, da maneira de rir – sempre alto demais, sempre que nem galinhas e por coisas totalmente sem graça –, da maneira rude de tratar os empregados de mesa, da maneira beta de se vestir: nunca num desleixo, sempre engomada e perfumada, até na praia, nem a dar uma queca se desalinhavam. Não vejo nenhum defeito nisso. Até posso ter perdido as miúdas mais loucas do universo...
Mas o tipo mais sensacional do universo e a mulher mais fantástica do planeta nunca irão conquistar ninguem, a não ser que tenham uma maneira de de ser que o outro não consiga explicar. Porque essas maneiras que nos encantam não se explicam de forma nenhuma.
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