Existem coisas que não se ensinam nas escolas, por isso são cada vez mais raras. Uma delas é a elegância.
É um dom que tem pouco a ver com o saber andar, ou com o uso correcto dos talheres, ou ainda com o usar os trapos todos compostinhos e vai bem mais além de dizer obrigado por uma gentileza.
A elegância (ou a falta) acompanha-nos todas as horas do nosso dia e manifesta-se nas situações mais prosaicas, quando não há festa, ou fotógrafos por perto.
A elegância é uma desobrigação.
Vê-se naqueles que mais elogiam do que criticam. Ou naqueles que mais ouvem do que falam. E quando falam, deixam-se de boatos e bisbilhotices ou daquelas pequenas maldades ampliadas boca a boca.
Vê-se nas pessoas que evitam temas confrangedores porque dispensam a humilhação do próximo.
Vê-se em pessoas que não elevam o tom de voz, dispensam o ar sobranceiro e superior para falar com alguém.
Elegante é quem mostra interesse por aquilo que desconhece ou não domina, quem dá presentes fora de festas, é quem cumpre o que promete, é não perguntar á secretária quem está do outro lado da linha e só depois decidir se atende o telefone ou não.
Oferecer flores é sempre uma elegância.
Fazer algo por alguém, e esse alguém nem sonhar o que nos arrebentamos para o conseguir é muito elegante.
É elegante retribuir carinho, solidariedade também.
É a elegância extrema o silêncio perante uma rejeição.
Sobrenome, joias, dinheiro, poder e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine a ver o mundo de forma generosa, também não há quem ensine a estar nele de forma arrogante.
A gentileza é muito elegante, atitudes gentis valem mais que mil palavras bonitas.
Abrira porta a alguém é elegante, dar o lugar a outro também.
Sorrir sempre, é a elegância suprema e faz um bem do caraças ao coração.
Oferecer ajuda também é elegante.
Olhar nos olhos do outro durante uma conversa é essencialmente elegante.
Pode-se tentar detectar a elegância natural, mas imita-la é improdutivo. Depende de cada um e muitas vezes basta deixarmo-nos de frescuras e encarar a vida de forma natural, simples e verdadeira.
Se as pessoas de quem gostamos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso.
E um detalhe: não é fácil !
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