Era amor

Enquanto no sino dava as doze badaladas
Enquanto as velas iluminavam os móveis e tu descias
Pelas escadas leve como uma flor
O teu olhar tinha o doce do mel
Num sentimento feito de pinhas e frutos secos

Chegasta feita menina, enquanto a lenha cantava
O fogo entoava a melodia do teu nome
E tu ternamente me olhavas
E eu menino, na tua mão pegava

Depois, vestias as folhas secas
Por trezentas e muitas lerdas horas
E eras um sol, na sombra dos meus dias

O amor que agora bebes e te liberta
Guiam-te para os braços que te aconchegam
No meu colo fechas os olhos e adormeces
E eu olho para ti parado
Que só ao teu amor fico acostumado

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