Diz-me, onde foi encontrada esta simples forma de amar?
A minha pergunta pode ser um grito no meio de todo o silêncio, pelo desejo escondido, mal disfarçado, de fazer do nosso pequeno mundo, uma surpresa na construção de estrelas, luas e lugares onde depositamos todas as nossas vontades.
É um rabisco de mim que torna sagrado o tempo em que estou nos teus braços.
Sou pequeno e grande em tudo o que vês em mim. Que eu não vejo, por falta de fé ou por parecer imerecido.
Temos a imagem de inocentes certezas, pequenos pontos brilhantes soltos no espaço, pelo qual ainda vivemos. Sou a confissão nos teus pensamentos. Em cada história reinventada um suspiro, um amor que se renova, um olhar que se bebe, uma vontade que rejuvenesce. Acredito ser isso que me cativa no meio de tantos desencontros. Essa cumplicidade, leves sorrisos, fugidios olhares, é o que me prende. Não é nem preciso que me contes dos teus caminhos, porque sei do calor do teu corpo quando, escuto o declamar de coisas que não conheço e as tuas mãos correm nos meus cabelos, com aquele jeito especial que é só teu. Cada pedaço de mim enrolado nos teus dedos é uma palavra de mim. Mergulho no teu olhar e o que vejo é puro prazer quando, sentindo muito além do que esperamos, as tuas mãos tocam-me nos lábios que, suavemente, depositam um beijo. Nesse instante de pura magia o coração acelera e como tudo que é mágico envolvemo-nos em poesia. A tua voz conhece o meu corpo, tantas foram as vezes desbravado pelas nossas vontades. Se a noite é fria, aquecemo-nos e de loucura nos cobrimos como feras em êxtase.
Quero ficar perdido neste sonho, de uma saudade e acordar quando os teus lábios falarem aos meus do amor que somos nesse pensar e sentir. Somos fantasia, envolvida numa mística realidade. Um deitar de corpos, um doce e sereno esculpir de laços. Somos a construção do que construímos. Pedaços de textos e histórias em contrapontos. Ama em nós o sentido que nos aproxima. Afinal quem és e como foi a tua aprendizagem a amar da forma que eu amo?
Talvez seja a medida desmedida com que tenho medido. A palavra que espera um complemento. Ou talvez seja mesmo a metade de uma alma que deslumbrada cede ao toque e desperta sedenta desse amor que promete e que se realiza em mim. Pergunto sem cessar porque tenho tanto de ti. Sou a tua vontade escondida, o reflexo do teu olhar e a simplicidade de uma sedução. Pois seja, eu confesso, parecemos inocentes certezas... Prova de que o amor não necessita de explicações; simplesmente acontece nos corpos que se procuram no infinito.
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