A epidemia do valor.

Dizia Jean Baudrillard que existiam varias fases do valor. Uma fase natural do valor de uso, uma fase seguinte mercantilista o denominado valor-cambio, uma outra fase estrutural do valor-marca. A estas três fases, junta-se no Sec. XXI a fase fractal do valor. As quatro fases coexistem em maior ou menor harmonia ao longo da história.

A primeira fase corresponde ao valor de uso, o objecto adquir o seu valor em função da sua utilidade. Pode-se dizer que se trata do objecto-ferramenta, valorizado pela sua estricta função. Vem depois, a chamada fase do valor de cambio, em que o valor se determinava de acordo com a oferta e a procura da mercadoría, independentemente da sua utilidade, tal como a generalidade dos bens de luxo. A terceira fase, apelida-se de fase do valor-sinal, os objectos adquirem um carácter significativo que marcam a identidade social do individuo, tais objectos são “marcas”.

Finalmente, a quarta fase do valor corresponde á natureza fractal do valor que se desenvolve através de fenómenos de super-especulação ou as metásteses do valor: cada objecto com valor é um espelho que reflecte o seu valor noutro espelho e assim sucesivamente tal como tem vindo a acontecer com os derivados financeiros cada vez mais sofisticados. Nesta fase fractal – ou viral – o valor irradia em todas as direcções, estende-se sem referencias que o limitem, propaga-se como uma epidemia de valor de tal maneira que se intoxicam todos os agentes económicos mundiais. Mais que valor, só existe “epidemia do valor”, proliferação e dispersão aleatória e incontornável do valor,arbitrária, devastadora e terrorista.

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