Roubar é quase melhor que sexo

Porque razão Portugal está infestado de ladrões ? Miséria…falta de emprego? Não pode ser só isso. Não falo dos pilha-galinhas, que saltam cercas e são mordidos por cachorros. Falo dos ladrões instruídos, aqueles que habitam nas repartições publicas, que passam noites a estudar como contornar burocracias e burlar leis. Em todos existe o doce prazer da adrenalina.

Roubar deve ser uma loucura, um filme de acção. Poder entrar numa livraria “fanar” um livro e com o coração a disparar “bazar” sem ser apanhado, no fim a alegria transbordante de sair sem ninguém dar por ela. No caso dos ladrões da “coisa” publica a história é diferente. É uma história de vingança. Vingam-se dos ladrões que nos roubam todos os dias. “ Esses ladrões do governo, roubam-nos á séculos, antes eles que eu” – justificam-se.

Os roubos públicos até têm um ar patriótico. Já vi muita gente orgulhosa de não pagar impostos. “ Eu pagar ? Para esses trafulhas….nunca ! “ O famoso ladrão de esquerda. Hoje, muitos pululam nas administrações públicas e vêm o Governo como um palácio a saquear.

Há muitos tipos de ladrões. Os amadores, querem dar o golpe e passar os dias a beber água-de-coco nos braços duma qualquer galdéria. O ladrão a sério, quer roubar sempre. É uma missão. O ladrão por vocação é o herói do bairro, admirado em shoppings e churrasqueiras que frequenta.
“ Rouba, mas é um gajo porreiro, um paz d’alma que nãofaz mal a ninguem” – dizem os amigos entre costeletas e jarros de tinto. E o larápio desfila, com uma medalha de admiração na lapela.

Imagino os olhos cobardes do empresário na hora de pagar a “ comissãozinha de serviço”. A raiva contida para parecer natural, o ódio a sair pelos olhos, o sapo engolido, a simpatia fingida, as mãos tremulas.
O ladrão com o gozo de se sentir conspurcado pelo nojo do outro.

Imagino:
Hoje estou reformado e bóio aqui na minha enorme piscina em forma de vagina, mas babava-me de prazer quando via a cara do juiz quando não me conseguia meter dentro. Não sei porque razão, mas sentia-me superior aos otários que me compravam, não me ofendo, antes os olho de alto. Roubar é sexy-, grita- , enquanto deitado numa bóia roxa flutua na piscina, entre margarittas e rosas. Roubar dá tesão, é algo de orgasmico. Quando um tipo enche os bolsos de dinheiro, o fluxo da libido é inesquecível.

Nos ladrões bem sucedidos de Portugal, há um orgulho imenso da filha-da-putisse:

Todos começam a perceber de vinhos quando enriquecem, todos compram barcos e quintas, todos arranjam amantes oxigenadas e correntinha no tornozelo. As mulheres imaginam os colares que ganhariam se fossem as galdérias louras deles, como nos filmes de gangsteres dos anos 40.

Parece que neste país existe uma vala entre o público e o privado. Há grandeza na apropriação, florescem ricas plantas na lama da roubalheira. A merda não produz flores magnificas ? Pois…Portugal foi construído com esse fertilizante. O progresso deste país deve-se á roubalheira secular. Sempre assim foi…

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