Tenho tanta peninha dos Jeunes franceses

Lembro-me de ir a Paris. Um dia houve em que fui ao cemitério Pere Lacheise por causa do Jim Morrison. Tinha-mos tempo. Subimos a Rue de la Roquette e chegamos á Place de la Bastille (também conhecida como Opera) onde apanhamos o metro. Isto para dizer que a Praça estava cheia de jovens de bandeiras vermelhas que berravam por qualquer coisa que nem eles sabiam o que era. Não me pareceram sub-nutridos nem que passassem por grandes dificuldades, muito menos me pareciam magrebinos dos bidonvilles parisienses. Já nessa altura me pareciam jovens bem vestidos e mal aprumados. Calça de ganga de marca e camisinha Ralph Lauren parecia o uniforme de combate, e todos alinhavam pelo mesmo mau corte de cabelo ; desalinhado e sujo. Os mesmos que aquela hora faziam o seu movimento social eram os mesmos que desciam da Sorbonne e passeavam de livros debaixo do braço pelo Boullevard Saint Germain, compravam antiguidades na Rua Jacob e entretinham-se em discussões filosóficas pelos cafés de Saint Germain de Prés. Temo que hoje se passe o mesmo. Parece que sempre fugiu o pé para o chinelo aos jovenzinhos franceses e que sempre se prestaram ao papel de idiotas uteis (Maio de 68 ainda lhes corre no sangue). Tenho imensa pena destes apatetados que se julgam de inteligencia transbordante como se isso fosse o mesmo que transbordar dela. Haja paciencia, de certeza que nem sabem do que falam, nem do que gritam. É que depos da gritaria vão todos para casa, ligam o i-pod e o mundo acaba ali. Mas entretanto, com tanto desatino já causaram mal suficiente aqueles que precisam de lutar. A esses acabam por tirar a razão.

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