Rodo a chave de casa, empurro a porta e encosto o tapete á parede antes de entrar pela porta dos fundos. Em casa há uma hora em que não há tempo, fico quieto e encolhido enquanto a luz diminui na casa quase vazia. E eu quieto de mala a tiracolo, sinto-me filmado por todos os angulos.
Há um gato, um cão e um insecto que não se cala, todos saudam o meu sorriso mudo, com olhos distraidos e mãos magicas.
Só a expressão da face diz tudo. As frustrações já nem pesam. E como é denoite, deito-me, e penso que de noite é que é bom e nunca as noites foram tão boas como os restantes dias.
Das paredes escorre a culpa muda e surda, enquanto demoro uma eternidade a pousar o casaco e a guardar a mala. Ainda assim, observo que se morassem olhos na nuca o silencio que roda em minha volta.
Eis o meu mundo oco, tão vazio e tão mentiroso quanto eu. Aqui não há duvida que todas as palavras são aço forjado na resistencia da dor.
Os ossos demoram minutos a cair, como se a morte fosse uma surpresa e o meu corpo escorresse em golfadas de sangue e olhos envenenados pelas paredes tão alvas de tinta fresca.
Ao dar o primeiro passo, desloco-me celula por celula e semeio a distancia que me separa do sono da felicidade...
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