Pessoas tidas como inteligentes acham que a felicidade é uma idiotice. Porque as pessoas felizes não se deprimem, não têm vida interior, não discutem, não questionam, aceitam, são uns patetas-alegres parece que a felicidade anestesia o cerebro.
Pois eu acho o contrario: Cultivar a infelicidade é que é burrice e das grandes. O que não falta no mundo é sofrimento. Gente que sofre porque ganha mal, porque não têm amor, porque sofrem de alguma doença, sei lá, cada um sabe do que se queixa e do que lhe dói. Toda a gente tem dores de estimação, até eu. Naquilo que me toca, dedico-me as minhas dores uns periodos de reflexão, mas não perco muito tempo com isso, nem entorno uma garrafa de whisky, nem me vou considerar um grande filosofo só porque reflicto sobre a miseria humana. Sou muito feliz e também peno.
A minha felicidade depende em grande parte de duas coisas : sorte e boas escolhas.
Sorte em ter nascido numa familia boa, sorte de ter uns pais que me ensinaram a viver, sorte porque alguem me pagou os estudos, sorte por ter saude, um emprego e poder escrever aqui. Até aqui é tudo providencia divina. O resto não é da conta do destino, é por minha conta: depende das escolhas.
Dos amigos que faço, se sou honesto ou malandro, se valorizo mais o dinheiro ou a paz de espirito (apesar da combinação perfeita ser dinheiro com paz de espirito, adiante!), se nas nas minhas relações afectivas olho para a beleza ou para as afinidades e os laços que crio, se reconheço as horas de dividir ou de ficar calado, se sei quando trocar de emprego, se saío do país ou se fico, se perdouo ou se guardo magoas para toda a vida, este tipo de coisas...
Melhor ou pior, todos sabemos que somos a soma das nossas decisões. Há pessoas infelizes porque têm um cancro, outros são infelizes porque cultivam a preguiça existencial. Os que têm cancro não têm sorte, mas os outros têm a sorte de optar. E só continuam infelizes porque assim escolheram.
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