As pedrinhas do meu caminho - Parte 10.1/2

Aos Domingos gostava de ir á Igreja. Normalmente dirigia-se pelas 10h00m de Domingo á Igreja da Madredeus situada na Rua Duque de Caxias situada bem no Centro da Cidade.
Sabia um pouco da história da Catedral da cidade. Sabia que o Padre carmelita Frei Faustino de Santo Antonio de Santo Alberto e Silva tinha sido designado para dar assistencia religiosa aos casais de Açorianos que chegavam á cidade e a alguns soldados, tendo nascido assim a Igreja. Sabia que o autor do projecto era um tal de João Batista Giovanelle então professor de Belas Artes em Roma. Sabia que tinha sido onservada a firmeza e a simplicidade caracteristica do 1º Renascimento, embora tenha sido dado algum movimento á obra, caracterizado pelo contraste dos corpos (frontespicio e torres), com intervalos na altura dos terraços sobre as naves laterais a dar-lhe profundidade graças á parte central e aos grandes vãos.
Foi quando se deleitava com esta obra e se encontrava absorto nestes pensamentos, que olhou a bela mãe dos seu encantos. A bela mãe que se sentava no banco dos fundos tinha entrado. Não podia deixar de reparar nos belos olhos negros que o fulminavam com tamanha doçura, apresentava um olhar triste sem sofrimento....só triste... aquela tristeza que nos faz sonhar! Apesar de tapado, podia imaginar as curvas do seu corpo e de quanta beleza estaria oculta. Cabelos suavemente tapados, constratavam com o vermelho dos labios cheios de vida, cheios de carne a brotar frescura...todo aquele ser arrebatava-lhe o coração e o fazia suspirar.
Pela mão trazia duas crianças encantadoras. Calção pelo joelho e camisa engomadinha. Belos pequenos estes.
Sentou-se ao lado. Arranjou uma conversa meio palerma e perguntou :
- São seus ? Como se chamam?
- Eric e Alexandre. Respondeu a bela com um sorriso triste...
Aquele sorriso deu-lhe asas para sonhar....foi embora, mas com a certeza que aquele momento se iria repetir.

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