A ignorância.

A ignorância age como um buraco negro. Tem a sua maneira, tem a forma de uma lagarta que se intromete no conhecimento onde cria buracos de espanto e dores de crescimento.
Mas existem dois tipos de ignorância. Uma passiva que está relacionada com a ignorância do próprio animal, despretensiosa. E uma ignorância activa, onde são reconhecidas capacidades adequadas ao animal, que usa de forma eficaz a sua energia para se manifestar e transformar a sua presença numa ameaça.
Esta ignorância espalha-se a partir de revistas, televisões, jornais, blogues e produz uma vida dura e cinzenta amorfa e apatetada. Cria uma doença infame onde quase tudo é paliativo.A presença da ignorância arrogante, de apaixonada representação cria relações perversas entre conceitos, palavras e confunde dados, tendendo a criar um universo caótico e muito eficaz para partir a cabeça a cada indivíduo, para criar desconfiança em qualquer afirmação, em qualquer declaração em qualquer diagnóstico. Este mal estar cresce com a sua própria miséria, com a doença do poder. Cresce como um monstro que se alimenta das suas aberrações, como uma plantação de caciques nascidos do lodo que constroem novos edifícios com o cimento da deformidade.
Não há nenhuma maneira de neutralizar o poder do mal, essa praga, essa tetrologia. Os editores de texto nas salas de imprensa, os académicos nas suas enciclopédias, os professores nas salas de aula, são insuficientes para contrariar o desenvolvimento exuberante da ignorância que não é culpa deste, ou daquele, do tempo….onde mais uma vez, vamos cair em generalidades cinzentas da formação global e globalizante. Formamos ignorantes funcionais, ou modernamente “idiotas úteis” vitimas de uma aprendizagem reles e facilitista promovida por um conhecimento “alternativo”. O conhecimento do escuro ? A escuridão do conhecimento. A sola do Iluminismo.

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