Trés jolie.

Outro dia fui á praia com a Angelina Jolie. Não trocamos uma palavra. Nem dava jeito, eu sou real e ela não. Eu sou um corpo leitoso coberto de uma penugem homenidea que faz o Tony Ramos parecer um metrossexual depilado. Ela é de papel. Perfeita. Nelson Rodrigues diria " ordinaria, mas bonitinha". Sim com aquele decote a lamber o umbigo e um ar que faz qualquer pessoa passar fome de Biafra. Entretanto chega o Brad Pitt,com dentadura reluzente e carinha de mecanico. Parecem ser um casal feliz, ao reparar no sorriso de aparvalhado deslumbramento que toma conta do rapaz. Gostava de puxar o repaz Brad a um canto e ter uma conversa franca com o feliz :
" Sabes Brad, tu só queres fazer a Angelina feliz e sei que a amas muito. Mas sabes, que ao contrário daquilo que pensas, a tua Angelina não é só tua, é minha, do Paulinho da Viola, do Chico Zarolho, do homem do talho, do padeiro de milhares de Portugueses, de milhões de Europeus, de biliões de criaturas deste mundo, que á custa dessa Angelina que tanto amas têm o habito de te tourear de todas as formas que possas imaginar, usando e abusando do corpo desse anjo que tu veneras ? Deverás tu de saber - que existem milhões de criaturas que na calada da noite, te roubam a mulher da cama e nem um bilhete deixam ?"

Onde há homens há ciume. O ciume é a avenida principal por onde corre o nosso afecto. O homem do talho gosta de beijar mentalmente as nalgas da minha senhora ? Pois seja. Ele inveja-me a mulher eu invejo-lhe as alheiras. O ciume de bairro é bonito. É familiar. O ciume do mundo é anónimo e infinitamente grande. Destroi o prazer que sentimos quando ao saber-mos da cobiça alheia a exclusividade ainda existe.

Pois, estou na praia com a Jolie.

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