Não só de amor vive o homem para se sentir feliz, mas sem alguma forma de amor tombaria-mos mortos.
Desta forma tão sensível explica-se a chave da condição humana, visto que não há humanidade sem textura amorosa, não há redes sociais sem laços humanos, não há efectividade sem afectos.
De outra forma, incluindo empresas, assassinos ou financeiros, todos se amam, todos se querem, todos se coligam para sobreviverem como tais ou como algo mais. Toda a actividade comercial representa em si mesma uma troca um modelo de intercâmbio amoroso, que é a base social do ‘par’, no sentido do acoplamento, ou da magia da copula.
Qualquer doutrina que creía em demasía no amor, não pode deixar de pensar na relação do homem com a engrenagem das maquinas. O homem, motor da vida até ao motor de explosão, nos seus embulos e nos seus cilindros, o tu e eu da dialéctica relacional.
Pensar no amor como dom de Deus é inevitável. Pode-se pensar que a divindade é alicerçada na crença dos fieis, ou se houver divindade advem da Divina Providencia capaz de produzir alimento á medida de cada um. A crença e o amor cruzam-se sob a mesma bandeira. Sendo que, para muitos, não será Deus o criador dos homens, mas sim que Deus resulta da fantasia do homem, sendo resultado dos seus desejos e ansiedades.
Mas uma vez que Deus está em cena, também é verdade que o homem está preso a Ele, fazendo Deus parte da substância do homem. Deus será assim tão doce como mel ou coagulação do amor humano ou ainda um polo da solidão suave, que atenua a desesperança, a exclusão e neutraliza a confusão; que através da fé consegue o milagre da auto-estima.
Porque sendo a perda de auto-estima uma doença quase mortal, que se cura exclusivamente pelo sopro ao coração por alguem que nos é querido e em quem confiamos. Um coração conectado a outros corações amados gera um seguro contra o descrédito pessoal e contra do desmantelamento do eu que chegaría a ser cego, caíria no abismo sem o suporte de alguma convicção, só possivel pelo reconhecimento do outro.
Todo eu, qualquer eu, só existe em igualdade com o outro. Todo eu, acredita num mundo através da presença do outro e do seu reconhecimento. Não há um eu sem o mundo nem um mundo sem um eu. Esta é a primeira evidencia e a primeira saudade. A companhia amorosa do outro, cria um objectivo, uma miragem que se busca em comum e reproduz um mundo como um ámbito, um mundo habitável que nasce da companhia do outro.
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