notas de rua

As palavras, as lampadas acesas, os corpos palpaveis vivos e limpos comeram deus,
menos a dor destas ruas desertas
corro pelo trilho do silencio, simples e claro rumo ao abismo
faço-me homem e acabo com o vacuo, tão homem que acabo comigo mesmo
mas gosto do vazio das cinzas, das noites no deserto e do morrer da vida.
Gosto da sorte e do azar, do aconchego e do desassossego.
durmo do lado sagrado do coração,
onde o medo é tão puro quanto outro corpo
mesmo na dor do teu corpo vazio
onde nasce sangue dos meus olhos, caem pedras do ceu,
e engole-nos uma bola de fogo
não nos conheceremos nunca
todos as palavras dormem no tempo do desassossego
fugiram na curva do universo, por vezes ouço-as
na noite de cristal, onde me correm polaroids de figuras esbatidas,
rasgam-se as palavras e por ti nada digo !
O regresso terminou. A vida toda fodida, a alma toda esburacada
por uma agonia do tamanho do sol
enquanto há dor nas ruas desertas.

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