Hoje é um dia venenoso
dia de ratos e tarantulas
a teias de aranha e a fios de odio
a figados retalhados corruidos de colera
é um dia de cães
o sol nasceu quando deram á manivela da roda gigante
cheira a eter a cinza que nos cobre os olhos
um desentendido em comércio
lançou no mercado estes dias ferrugentos
hoje nem se quer é dia
de um buzio escutar o coração
hoje a terra não gira sobre o seu eixo
hoje não existem pessoas
é um dia de punhais e zagaias
e a noite é
um vulcão de boémios
não existem mais patrias
esta noite silenciaram as patrias
é só mais um dia
ou menos um dia sem alma
como cobre derretido no coração
um peixe atravessado na garganta
Um mar cheio de cinza
hoje é um dia de luxos e festas de volupia
com mascaras no crespusculo
e sirenes douradas
com o amor a jorrar dos corpos entrelaçados
por trezentos homens sem alma
e trezentas mulheres sem cor
com a morte a espreitar em cada cornija
hoje não é dia de cortar a barba
não é um dia para homens
não é um dia para palavras
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