Nightclub

A porteira segura um cigarro e encosta-se á ombreira da porta. Enquanto nos olha atira-nos para cima uma nuvem espessa de fumo e os seus ombros largos saem pela fronteira branca do fluido que nos envolve. Olha-nos como se tivesse facas nos olhos e um prego espetado na lingua, levanta a cabeça coroada pela luz das tatuagens e mostra-nos o caminho.
Lá dentro o cheira a incenso e a luz é tenue. Encostamo-nos ao balcão, antes de cravar-mos o ultimo cigarro, alguem a dois passos vive e rende-se aos encantos de uma bailarina de pele morena e gluteos salientes, olha-o com desprezo enquanto ele já só é um macaco enfeitiçado por aquele corpo que nele toca. enquanto nós estamos de copo quase vazio outra vez.
Sem pressa avaliamos os corpos que se moldam no barro da nossa indiferença. Duas mulheres beijam-se...olham-nos com os olhos das gatas com cio, esperam um olhar, uma palavra ou um gesto...
Nos continuamos encostados ao balcão, de novo de copos vazios a abservar o instinto das pequenas criaturas e a fome dos predadores de todas as horas.

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