As vezes ando pela cidade sem ti. Não tenho pressa, vagueio sem querer chegar a nenhum destino, oiço varias línguas que transformam o meu cérebro num carrossel, as flores inuteis caem nos vasos e o rio parece resignado ao olhar dos transeuntes. Ando sem ti, sem olhar para o frenesim das gentes, sem olhar para o homem esguio de fato negro de belo corte que percorre a calçada enquanto fala ao telemovel, sem olhar para as longas pernas da senhora que acabou de comprar uma qualquer lingerie, apenas imagino que alguem irá ser feliz, nem reparo na criança que chora porque queria um gelado e a mãe comprou outra coisa qualquer.
Apenas reparo nos lugares onde moras dentro de mim. Na sombra dos platanos brincam crianças com bocadinhos de luz e pedaços de musgo macio e podias ser tu. A brisa que corre acorda os segredos da tua alma e sinto que afinal há seculos que não sais dos meus braços.
Nos olhos de uma menina vejo a sombra dos teus olhos, talvez até sejas tu que te transformaste na menina do meu universo, numa luz de uma noite tão comprida. Não sentes o mar, o nevoeiro e as folhas que morrem com tristeza?
Vem, anda que é Outono.
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