Eu, nós e os Alemães.

Nunca foi germanófilo. Da Alemanha conheço Munique, de passagem Berlim e Colonia. Não tenho nem boa, nem má impressão deles, são o que são e são bastante diferentes de nós. As vezes parecem sisudos, fechados,  arrogantes e até um pouco desleixados. Nada de mais errado. São extremamente directos e não desperdiçam conversa, são organizados, metodicos, exigentes, rigorosos, definem objectivos, sabem qual o caminho a seguir, respeitam o trabalho, o conhecimento e as artes e são bons naquilo que fazem. Para além disso, são orgulhosos em ser como são e são simpaticos sem mesuras nem salamaleques. Em resumo, são sérios em tudo o que fazem.

Tanto é, que aqui á pouco tempo li um artigo na MIT Revieuw onde apresentavam em grande destaque um trabalho desenvolvido pela Escola Tecnica de Munique sobre robotica industrial como sendo de um avanço tremendo no campo da Engenharia Industrial. Outro exemplo de referencia vem da fábrica da Porsche. A tinta utilizada nos automoveis Porsche é feita á base de agua. A empresa desenvolveu um sistema de tratamento e reaproveitamento de toda a agua utilizada no departamento de pintura, assim, no fim do ano os residuos recolhidos dessas aguas não passa de uns miseros 120 Kg, ao contrario das 120 T produzidas anteriormente.

Dito isto, partilho uma pequena história:

Em tempos, no meu local de trabalho tivemos de mudar uma maquina de um espaço para outro. A maquina em causa era um bocado complicada e era bastante importante no processo do laboratório.
Contactei a empresa em Portugal para efectuar a mudança. Logo apareceram o director tecnico e o tecnico do equipamento. Dois Srs. engenheiros de fato e gravata (estes engenheiros andavam sempre de fato e gravata) que logo dissertaram sobre a complexidade do trabalho e de como demorada ia ser a operação. Passado poucos dias lá apareceram carregados de desenhos da maquina, motores, esquemas hidraulicos, esquemas electronicos e muito, mas muito papel.
Eles lá andavam num frenesim desgraçado a desmontar a maquina entre muitas pausas para café e alguns cigarros.
O tempo (que não era muito) foi passando e o trabalho emperrou...aquilo não andava nem para trás nem para a frente. A minha administração, vendo o que se passava perguntou-me o que se passava pois o processo estava a atrasar e não havia muito tempo. Lá me disseram que estavam com duvidas numa parte da montagem  e que "TINHAM DE CHAMAR O ALEMÃO"
Fiquei branco...agora era preciso "vir o alemão"!!!
Facto, é que passado poucos dias lá apareceu "o alemão"...pois, "o alemão" chegou sozinho e apresentou-se para trabalhar, tive de telefonar para o representante em Portugal a perguntar qual a razão para o Tecnico deles me aparecer sozinho pois eu não o conhecia. Entretanto os Portugueses lá apareceram e foram feitas as apresentações.
O "alemão" era grande e desengonçado, com um bigode farfalhudo e de poucas conversas. Não trazia desenhos nem dossiers, trazia uma mala cheia de ferramenta.  Começava a trabalhar as 08:00, parava as 10:00 e demorava 15 minutos a fumar um cigarro. Almoçava em meia-hora, muitas vezes uma sandwich que trazia do hotel, parava a meio da tarde para mais um cigarro e saía as 18:00 em ponto. Isto durante uma semana, enquanto trabalhava só falava para pedir ferramenta ou para pedir silencio que os tecnicos Portugueses pareciam umas cigarras em volta dele. Quando perguntei aos Portugueses como é que era trabalhar com ele, responderam:
" - F...., o Alemão trabalha com'o c.....! E nós temos de andar atras dele!".
Mas numa semana a maquina ficou a funcionar, como nunca tinha funcionado antes...

Não é preciso dizer mais nada, pois não?




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