Os livros desinquietam-me.

Gosto de livros mas não leio muito. São muitos aqueles que ao fim de meia duzia de paginas acabam esquecidos porque não me ensinam, não me arrebatam nem me inquietam. Mas o problema é mesmo meu, não é dos livros. Borges dizia que "um livro é uma extensão da alma e da imaginação" e poucos têm imaginação ou alma.
Gosto do mundo as avessas do Luiz Pacheco, em especial d' "O libertino que passeia por Braga". Lembro-me de inquietude que me provocou a sua escrita. Gosto dos Antigos e Novos Contos do Demonio e do Fisico Prodigioso de Jorge de Sena.
Gosto de Contos Russos, do Corcodilo de Dostoievski, de Lazaro de Andreev ou A morte de Ivan Illitch de Lev Tolstoi. Gosto do imaginário de Adolfo Bioy Casares onde a dor se transforma em electricidade ou um homem troca o suicidio por um sono de cem anos, gosto do mundo tenebroso e desesperado de Celine e da America moralista e hipocrita de Roth. Ah.... e o amor.O amor dos livros é sempre maior que o amor da vida. O amor de Bendrix por Sarah descrito por Graham Green, o amor de Quixote por Dulcineia, quem é que hoje ama assim?
Gosto da magia das palavras de Drummond e da leveza cristalina de Quintana. Pelava-me pelas cronicas de Millor Fernandes e de Arnaldo Jabor.
 Eça é de todos os tempos, todos os tiques e maneirismos da nossa sociedade actual estão lá. É irritantemente eterno. Eterno como são todos os grandes livros. Borges não é deste mundo, Borges é tocado pelo divino é mais que eterno. Um livro não nos engrandece em nada, remete-nos á nossa insignificancia. Um livro é eterno, nós não. Flaubert disse " morro como um cão, mas a putinha viverá para sempre" a puta seria a sua Bovary que ainda anda por aí. Eterna, que resistirá sempre á morte.




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